• Dojo Zen de Lisboa
Introdução

O dojo zen de Lisboa foi criado em 1997 pelo monge Raphaël Doko Triet.
Actualmente, o dojo zen de Lisboa congrega quinze monges, monjas, bodhisattvas e vários praticantes regulares.
Em cada semana, o dojo promove nove sessões de zazen, de manha e de tarde.
Com regularidade, organiza dias ou fins-de-semana de prática mais intensiva.
Hoje em dia, o seu responsável é o monge Yves Crettaz.

“A porta do Dragão - Ryumonji”

Há ano e meio, durante uma viagem ao Japão, cheguei a um dos dois grandes mosteiros Soto. Existem vinte e cinco mil templos Soto no Japão mas dois são os mais importantes: Ehei-ji e Soji-ji. Chegámos ao Soji-ji e, antes de sermos recebidos pelo zenji, o secretario veio pedir-nos os nomes, a idade, de que cidade e país éramos. Pediu-me também o nome do meu dojo. Fui apanhado de surpresa. Havia pouco tempo que estávamos em Lisboa e precisava absolutamente que o meu dojo tivesse um nome.
De imediato, tive de dar um nome ao dojo. Gosto deste tipo de situação. Então, chamei-lhe « Porta do dragão » e conservei o nome porque faz referência a uma história, uma lenda narrada por Dogen.
« No oceano, há um lugar que se chama a "Porta do dragão". Aí, há sempre grandes ondas que se formam e todos os peixes que passam por lá transformam-se infalivelmente em dragão. Por isso se chama àquele lugar a "Porta do Dragão".
Mas as grandes ondas daquele lugar não são diferentes das de outro qualquer, a água aí é salgada como em qualquer parte. Porém, enquanto neste lugar os peixes se transformam em dragão, as suas escamas permanecem, o corpo deles não se transforma, até a maneira de abrir a boca, tudo, tudo, tudo exactamente como os outros peixes. Mas contudo são dragões.
É como para os monges. Um mosteiro não é um lugar diferente dos outros mas, uma vez entrados nesse mosteiro, os monges tornam-se budas do mesmo modo que os peixes se tornam dragões. Comem a mesma comida dos outros homens. Vestem-se igualmente, protegem-se contra a fome e o frio mas quando se rapam o crânio, vestem o kesa, comem a guen mai, tornam-se monges.»

Extraído dum Kusen de Raphaël Doko Triet de Bucelas em 7 de Novembro 1998